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Processo de Recaída

Processo de Recaída

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O processo de recaída, ao contrário do que muitos possam pensar, não acontece de um momento para o outro. É um processo, e não um evento, que tem uma infinidade de razões associadas e que muitas vezes nem o próprio é capaz de identificar.

A recaída pode começar meses ou até anos antes da recaída física propriamente dita. Antes desta, há uma recaída emocional e mental que posteriormente leva à comportamental.

1. QUAIS SÃO AS FASES DA RECAÍDA?

vicio do jogo 1
vicio do jogo 2
vicio do jogo 3

Diversos sinais, embora raramente reconhecidos, da iminência de uma recaída podem aparecer ao longo das várias fases progressivas do seu processo.

Primeira fase

A possibilidade de recaída começa a manifestar-se quando não se consegue pensar com clareza ou lidar com os próprios sentimentos. O sono e a memória começam a ficar afetados, encontram-se dificuldades em lidar com o stress e em coordenar os movimentos. Surgem sentimentos de vergonha, culpa e desespero.

Segunda fase 

Posteriormente, regressa o estado de negação, perdendo-se a capacidade de se ser honesto relativamente aos próprios pensamentos e sentimentos.

Terceira fase

Já não querendo pensar ou falar sobre o seu desconforto, o adito faz de tudo para não ter de olhar para dentro de si: preocupa-se com os outros, assume comportamentos compulsivos, isola-se, impõe barreiras de defesa à sua volta, entre outros. Assim, perde-se o sentido da realidade e da real proporção das coisas. A depressão, entretanto, chega e acomoda-se. Olha-se mais para o negativo e sente-se o fracasso em tudo o que se faz. Perturbado e/ou irritado, o indivíduo passa a reagir de forma exagerada.

Quarta fase 

Neste processo de recaída, o adito reconhece a sua perda de controlo, quebrando a negação e entrando num modo de “autopiedade”. Por outras palavras, sente pena de si próprio e, muitas vezes, procura chamar a atenção.  As mentiras conscientes repovoam de novo o seu dia-a-dia, desenvolvem-se ressentimentos irracionais, interrompe-se a recuperação e mergulha-se no mar da solidão, da frustração, da raiva e da tensão permanente.

Quinta fase

Só vê uma solução: reincidir no “uso”, com provável colapso físico e emocional usando o lema «perdido por cem, perdido por mil». O paciente começa a imaginar-se na sua adição, sem pensar na culpa e vergonha que sentirá posteriormente. Dificilmente ouve as pessoas à sua volta, dado que começa a entrar num estado de desespero.

Caso não se intervenha atempadamente, este processo de recaída terá três destinos prováveis: a loucura, o suicídio ou o regresso à adição ativa.

2. É POSSÍVEL RECUPERAR DE UMA RECAÍDA?

Sim, todas as recaídas são passíveis de se recuperar. 

Então, o que fazer?

  • Procurar ajuda: família, amigos ou outras pessoas sóbrias;
  • Entrar em tratamento, sendo o mais aconselhável e eficaz aquele que é feito através de internamento; 
  • Frequentar reuniões de auto-ajuda, tais como os Alcoólicos Anónimos; 
  • Evitar gatilhos: podem ser pessoas, sítios ou algo que lembra do comportamento aditivo ou substância;
  • Definir limites saudáveis: distanciar-se de relações abusivas ou negativas, de situações prejudiciais ou de pessoas que tentam influenciar negativamente;
  • Autocuidado: fazer atividades prazerosas e adotar práticas saudáveis, tais como exercício físico e boa alimentação; 
  • Refletir nas consequências do comportamento aditivo, tanto no passado como no presente e futuro;
  • Seguir o plano de prevenção à recaída, que deve ser realizado em tratamento com ajuda profissional especializada;
  • Atualizar o plano de prevenção à recaída de forma regular, de forma a responder a necessidades diferentes que poderão surgir.

3. TESTEMUNHO

“João Paulo (Nome Fictício)”

“A adrenalina subia e eu estava cada vez mais viciado. O que seria um simples entretenimento tornou-se uma obsessão. Eu queria ganhar dinheiro de qualquer forma, quando na verdade não tinha falta dele.”

Sempre que falava com ele, prometia-me que há muito que não consumia. (…) Uma tragédia abateu-se sobre a família com a morte de um dos seus filhos, uma leucemia fulminante tirou-o de nós. O meu irmão estava muito em baixo e aconselhei-o a pedir apoio psicológico, mas recusou. Tentei estar por perto e alerta a todos os sinais. Temia que recaísse e que voltasse a consumir. E a verdade é que acabou por recair. Quando me apercebi já era tarde demais. Estava completamente viciado.

RESUMO SOBRE O PROCESSO DE RECAÍDA

Em certas ocasiões, a recaída em superar um vício vem acompanhada por uma atitude de descuido em relação ao plano a seguir no processo. Em alguns casos, estas recaídas ocorrem quando o paciente retoma o contato de antigas companhias desagradáveis. O processo de recaída pode chegar a um fim quando o paciente se torna consciente de si mesmo que quer mudar sua vida. Se precisar de ajuda, conte connosco.

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